8 de set. de 2008
2 de set. de 2008
Auguri!

Até parece que foi ontem que a Joyce disse “vamos fazer um almoço de despedida lá em casa”. Isso ainda faltava um ou dois meses, eu acho. Depois lembro bem do domingo que eu muito retardada paro na casa do Maicon e vejo o carro do meu pai ali, preferi pensar que ele deveria estar filmando alguma festa por ali .. ah sim .. Surpresa! Era a minha festa. Meus amigos também estavam lá, não todos, mas bastou pra me fazer muito feliz. E depois tinha um mega elefante lindo e um clip com o Justin.
Eu quis tanto que chegasse a hora de vir e de repente tava no aeroporto, todos ali pra dizer tchau. Nessa hora deu um nó impossível de engolir. Não era nada de ruim ainda, era medo, talvez, misturado com uma saudade que eu nem tinha noção de como iria doer mais tarde.
Chegamos, minhas malas não. Olhava tudo com um véu mágico do novo. A língua enrolava a cada vez que pensava em abrir a boca, por fim, sabia dizer: grazie (assim gratsie).
Chegamos em Milão mais tarde, as malas também. Morei um mês com um holandês, que até hoje não entendo como a gente conversava e como isso deu certo (ah sim tinha muita mímica). Eu entendia que ele gostava do macarrão que eu fazia... é, isso já tava bom porque eu acertava na sorte mesmo.
Trabalhei em vários restaurantes aqui. Várias vezes eu não pensava muita coisa boa disso, outras tantas eu me diverti bastante, só aqui mesmo pra isso acontecer. No começo não sabia como dizer bandeja (imagina uma garçonete que não sabe o que é isso).
Eu também nunca imaginei fazer isso na vida, sou redatora publicitária benhê. Era. Aqui ainda não faço isso. Talvez nem faça, to vendo novos rumos, moda pode ser um deles, mas eu te conto depois quando já tiver rindo dessa fase (não desmerecendo a classe, mas meus objetivos não param num lindo avental).
Conheci muita gente boa, outras nem tanto. Aqui a gente depende muito de amigos, são como sua família, tive sorte encontrar alguns com quem contar e fazer o mesmo por eles. Sinto uma falta incrível dos amigos que estão longe, falta do colinho, das risadas, das bobeiras, dos ombros. Me faz falta outros que não resistiram aos efeitos geográficos, cederam a distancia e sumiram de vez.
Hoje minha língua não enrola tanto e o véu do novo foi-se.
Hoje já é o lugar que eu moro e conheço: Milão. Fria e quente, suja e cinza, fashion, eclética.
Já sofri com a mudança.
Já odiei a comida.
Já aprendi a fazer o que eu quero comer.
Descobri que bandeja é vassoio.
Aprendi de uma forma muito dolorida que os hospitais da Itália funcionam muito bem, depois de capotar com o carro em uma estrada.
Também mudei muito minha cabeça, principalmente meu cabelo.
Já tenho muita coisa que me faz rir do nada.
E muita gente me pergunta se eu to feliz. Às vezes eu digo que tenho muita saudade. Isso não quer dizer que eu esteja triste, saudade não é tristeza, é saudade. Ou então pq teriam inventado dois nomes pra mesma coisa?
A felicidade é relativa, minha saudade é constante e tristeza, não obrigada.
Mas um ano aqui passa como um mês (sem exageros, passa mesmo rápido). Ainda tenho tanta coisa pra fazer, pra dar certo, pra conhecer e aprender aqui. A saudade eu agüento “doloridamente”, a tristeza não.
Então parabéns pra mim! Parabéns pro Guilherme também que tem agüentado todas essas mudanças e me agüentado. O primeiro pedaço do bolo com certeza vai pra ele. (por todas as vezes que eu precisei que ele fosse mais forte do que eu...e ele é).
Hoje não esperamos mais, chegaram os documentos italianos e foi o dia mais feliz em um ano aqui.
Sei que o que eu escrevi não é nada de tudo que eu aprendi e vivi aqui em 365 dias, sei também que isso não interessa a muita gente, é grande coisa pra mim.
Ah sim! Hora de apagar as velinhas. Faço desejo? Será? Tudo bem... desejo que tudo dê certo. Eu até poderia ter sido mais especifica nisso, mas acho que já ta em andamento, não quero atrapalhar os planos celestiais (se bem que eu acho que fumaça de vela de bolo de aniversário não influencia muito)
A gente se vê por ai, tenho tantas fotos e abraços guardados.
Arrivederci!
13 de ago. de 2008
in.side
Conheci uma garota
Seu nome era positividade
Ela era uma péssima mentirosa
disse que era minha amiga
mas não me visitava todos os dias
Ficou semanas sem dar as caras
sumiu
eu não ia atrás
tbm não queria saber
Até que um dia, eu liguei
Ela disse com seu jeito feliz:
adoro quando vc me procura
durou uns dias
depois
sumiu, de novo
Tenho que me acostumar com esse tipo de coisa
Seu nome era positividade
Ela era uma péssima mentirosa
disse que era minha amiga
mas não me visitava todos os dias
Ficou semanas sem dar as caras
sumiu
eu não ia atrás
tbm não queria saber
Até que um dia, eu liguei
Ela disse com seu jeito feliz:
adoro quando vc me procura
durou uns dias
depois
sumiu, de novo
Tenho que me acostumar com esse tipo de coisa
7 de ago. de 2008
o que os olhos vêm.
Tava dando uma navegada básica no orkut é uma coisa que venho fazendo muito. Uma pq é bem legal olhar as coisas alheias (mas é pra isso que o orkut existe, vero?) e outra pq não ando tendo muito o que fazer. Quando fico atoa começo a pensar de mais e olhando as fotos de alguns álbuns, até mesmo de quem eu não conheço, percebi que ta todo mundo muito feliz e contente.
São fotos de festas, de vários e vários amigos reunidos, de pessoas apaixonadas, de lugares incríveis. Como as fotos deixam tudo lindo! Mas não estou dizendo que é ruim, aliás parece ser uma coisa de alta necessidade mostrar que ta tudo bem, principalmente pra quem vem bisbilhotar.
Não me excluo dessa, meu álbum ta bem feliz. Há algum tempo atrás, mas especificamente no reveilon, tinha uma foto minha no Castelo Sforzesco em Milão. Quem via aquilo podia até pensar: “caraio, que chik ! Puta lugar pra passar a virada heim!”. Saibam que é mesmo um puta lugar, mas quem foi pra lá na noite do reveillon é pq não tinha planejado nada e lá foi fim de festa, sem falar de como eu estava triste de estar longe de todo mundo.
As minhas fotos hoje estão mais verdadeiras, sei que as de muitos álbuns que eu olhei tbm são. Mas tenho certeza que milhares de outros são montagens de “olha como eu to bem” ou “olha como foi legal”.
Dizem que uma imagem substitui mil palavras, mas eu ainda sou adepta a uma boa conversa fora do mundinho azul do orkut.
São fotos de festas, de vários e vários amigos reunidos, de pessoas apaixonadas, de lugares incríveis. Como as fotos deixam tudo lindo! Mas não estou dizendo que é ruim, aliás parece ser uma coisa de alta necessidade mostrar que ta tudo bem, principalmente pra quem vem bisbilhotar.
Não me excluo dessa, meu álbum ta bem feliz. Há algum tempo atrás, mas especificamente no reveilon, tinha uma foto minha no Castelo Sforzesco em Milão. Quem via aquilo podia até pensar: “caraio, que chik ! Puta lugar pra passar a virada heim!”. Saibam que é mesmo um puta lugar, mas quem foi pra lá na noite do reveillon é pq não tinha planejado nada e lá foi fim de festa, sem falar de como eu estava triste de estar longe de todo mundo.
As minhas fotos hoje estão mais verdadeiras, sei que as de muitos álbuns que eu olhei tbm são. Mas tenho certeza que milhares de outros são montagens de “olha como eu to bem” ou “olha como foi legal”.
Dizem que uma imagem substitui mil palavras, mas eu ainda sou adepta a uma boa conversa fora do mundinho azul do orkut.
3 de ago. de 2008
2 de ago. de 2008
Sabe como é né

Domingo passado uns amigos vieram em casa e como eu acabei de me mudar não tinha nada na geladeira. Mas aqui tem um certo problema nesse dia, domingo não se trabalha em Milão, quase tudo é fechado, só extra comunitários trabalham (entenda-se por chinas, japas, marrocos, indianos e outros estrangeiros. Ah sim, brasiliani estão nessa lista).
Bom, então sai na caça de algo aberto, depois de muito andar (com o sol rachando na cabeça) entrei num mercadinho indiano, era tudo indiano, comida, coisas, latas, tudo. Até a mulher do caixa tava vestida com aquelas roupas coloridas (que eu acho o ó!). E eu na minha sublime sonsêra pergunto a gentil moça: Vcs vendem carne? levou 2 segundos ainda para perceber como fui mongol, talvez foi quando a mulher me olhou com uma cara de " deus vaca perdoe essa pessoa que come sua carne". Ou então foi o retomar da minha consciencia cultural ao lembrar que "alouuuu hindu nao come carne!". Juro que pensei em dizer que era carne se soja, mas nisso a mulher ja tava suando na minha frente e respondeu: não, carne não vendemos. É, sai de lá o mais rápido que eu consegui. Hoje comemos um bifão bem acebolado e pensei: as vacas são mesmo ótimas.
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